Diferença entre Surdocegueira e DMU
A deficiência surdocegueira, não é uma
deficiência única, pois ela causa ao sujeito surdocego necessidades próprias
dessa deficiência no processo de construção dos mecanismos de comunicação,
devida à ausência dos canais sensoriais que facilitam esse processo. De acordo
com Lagatti (1995, apud BOSCO, 2010), “a surdocegueira é uma deficiência única
que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e
um sistema para dar este suporte. É uma
condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. (...) A palavra
sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não
aditivo” (p. 9).
“Deficiência múltipla é uma condição
heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações
diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o
funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002, apud,
BOSCO et all, 2010, p.10).
A diferença básica entre essas
deficiências está relacionada aos canais de comunicação. As pessoas com surdocegueira, necessitam da mediação de comunicação para receber, interpretar e conhecer o que lhe
cerca. Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais
proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e
vestibular.
A pessoa com deficiência múltipla,
embora tenha limitações próprias de suas deficiências, tem o apoio de um dos
canais sensoriais distantes (visão e/ou audição) –quando a surdocegueira não
for uma das deficiências associadas- , como ponto de referência, os quais são receptoras de informações e são
responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da
vida.
Alunos com surdo cegueira ou com
deficiência múltipla, necessitam de mediação que favoreçam a comunicação
comunicativa e expressiva a fim de proporcionar-lhe a participação efetiva nas
atividades propostas, a interação com os demais atores escolares e sua
aprendizagem escolar. Maia (2001) enfatiza que a comunicação implica em
interação e, comunicação é definida como uma forma de interação em que o
significado é transmitido por meio do uso de sinais, que são percebidos e
interpretados por um dos pares.
Para estabelecer um canal de comunicação
com qualidade, Maia (2011) sugere alguns passos que são fundamentais para o
desenvolvimento da linguagem e para a interação social e comunicação, tais
como:
Sua
comunicação inicial é pelo movimento corporal e vocalizações.
Precisam aprender por rotinas
organizadas.
A caixa de antecipação será sua
primeira estratégia de comunicação.
Caixa de
antecipação é qualquer
objeto que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado para a
criança.
Maia (2011),
define Objetos de Referência como objetos que têm significados especiais
associados a eles, pois servem
para comunicar sobre diversas situações.
Eles tem a função de substituir a palavra, assim podem representar pessoas, objetos,
lugares, atividades ou conceitos.
À medida que
esse processo de comunicação evolui, terá inicio ao processo de
desnaturalização. Desnaturalização é, segundo Maia (idem) sair do concreto (objeto tangível)
para a figuras ou a escritas (bidimensão).
Essa mudança se dá quando o aluno já é capaz de antecipar a função.
Bosco et all
(2010), destaca alguns recursos e estratégias para aprendizagem de alunos com
surdo segueira e deficiência múltipla tais como: objetos de referência nas
atividades, objetos de referência pessoal, caixas de antecipação, calendários,
cartazes safonados, adequações visuais (iluminação), posicionamento e
distância, adequações de recursos, cores
contrastantes, disposição adequada de materiais na sala para evitar desconforto e faticabilidade ao aluno, uso de
letras maiúsculas no quadro tendo entre
6 a 8 centímetros de altura. A movimentação do professor na sala deve ser
pensada em função desses alunos, evitando lugares que produzem reflexos.
Durante a realização das atividades coletivas, Bosco (2010) sugere que antes de
iniciar uma discussão e/ou a participação de cada aluno, esse deve
apresentar-se para que o aluno com surdocegueira ou deficiência múltipla, possa
direcionar a sua atenção para o participante.
O
planejamento das atividades de sala de aula deve ser elaborado com intencionalidades direcionadas para objetivos
previamente definidos. Quer sejam para alunos com deficiência ou não. Porém,
quando há alunos com deficiência esse cuidado é mais acentuado, tendo em vista
que esses alunos têm especificidades
próprias das deficiências que comprometem o seu desenvolvimento e portanto,
carecem de uma atenção especial. De acordo com as leituras, observei que muitas sugestões de materiais e estratégias
podem ser utilizados tanto com alunos com deficiência múltipla como com alunos
com surdocegueira com resíduos visuais, exceto
aquelas que são destinadas a alunos que utilizam os canais sensoriais
proximais. Para esses, estratégias com um contato mais direto são
essencialmente necessárias.
Referências
bibliográficas
Aspectos
Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina
Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas
de Solução para o Problema.
BOSCO,
Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar -
Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 1 - A
pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 - A pessoa com Deficiência Múltipla.
Capítulo 3 - Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com
Deficiência Múltipla.
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