domingo, 20 de abril de 2014

Diferença entre Surdocegueira e DMU




Diferença entre Surdocegueira e DMU

A deficiência surdocegueira, não é uma deficiência única, pois ela causa ao sujeito surdocego necessidades próprias dessa deficiência no processo de construção dos mecanismos de comunicação, devida à ausência dos canais sensoriais que facilitam esse processo. De acordo com Lagatti (1995, apud BOSCO, 2010), “a surdocegueira é uma deficiência única que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte.  É  uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. (...) A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo” (p. 9).
“Deficiência múltipla é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002, apud, BOSCO et all, 2010, p.10).
A diferença básica entre essas deficiências está relacionada aos canais de comunicação. As  pessoas com surdocegueira, necessitam da  mediação de comunicação para  receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
A pessoa com deficiência múltipla, embora tenha limitações próprias de suas deficiências, tem o apoio de um dos canais sensoriais distantes (visão e/ou audição) –quando a surdocegueira não for uma das deficiências associadas- , como ponto de referência, os quais  são receptoras de informações e são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
Alunos com surdo cegueira ou com deficiência múltipla, necessitam de mediação que favoreçam a comunicação comunicativa e expressiva a fim de proporcionar-lhe a participação efetiva nas atividades propostas, a interação com os demais atores escolares e sua aprendizagem escolar. Maia (2001) enfatiza que a comunicação implica em interação e, comunicação é definida como uma forma de interação em que o significado é transmitido por meio do uso de sinais, que são percebidos e interpretados por um dos pares.
Para estabelecer um canal de comunicação com qualidade, Maia (2011) sugere alguns passos que são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem e para a interação social e comunicação, tais como:
Sua comunicação inicial é pelo movimento corporal e vocalizações.
Precisam aprender por rotinas organizadas.
A caixa de antecipação será sua primeira estratégia de comunicação.
Caixa de antecipação  é  qualquer objeto que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado para a criança.
Maia (2011), define Objetos de Referência como  objetos que têm significados especiais associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações. Eles tem a função de substituir a palavra, assim podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos.
À medida que esse processo de comunicação evolui, terá inicio ao processo de desnaturalização. Desnaturalização é, segundo Maia (idem) sair do concreto (objeto tangível) para a figuras ou a escritas (bidimensão).  Essa mudança se dá quando o aluno já é capaz de antecipar a função.
Bosco et all (2010), destaca alguns recursos e estratégias para aprendizagem de alunos com surdo segueira e deficiência múltipla tais como: objetos de referência nas atividades, objetos de referência pessoal, caixas de antecipação, calendários, cartazes safonados, adequações visuais (iluminação), posicionamento e distância,  adequações de recursos, cores contrastantes, disposição adequada de materiais na sala para evitar  desconforto e faticabilidade ao aluno, uso de letras maiúsculas no quadro  tendo entre 6 a  8 centímetros de altura. A  movimentação do professor na sala deve ser pensada em função desses alunos, evitando lugares que produzem reflexos. Durante a realização das atividades coletivas, Bosco (2010) sugere que antes de iniciar uma discussão e/ou a participação de cada aluno, esse deve apresentar-se para que o aluno com surdocegueira ou deficiência múltipla, possa direcionar a sua atenção para o participante. 
O planejamento das atividades de sala de aula deve ser elaborado com  intencionalidades direcionadas para objetivos previamente definidos. Quer sejam para alunos com deficiência ou não. Porém, quando há alunos com deficiência esse cuidado é mais acentuado, tendo em vista que esses  alunos têm especificidades próprias das deficiências que comprometem o seu desenvolvimento e portanto, carecem de uma atenção especial. De acordo com as leituras, observei que  muitas sugestões de materiais e estratégias podem ser utilizados tanto com alunos com deficiência múltipla como com alunos com surdocegueira com resíduos visuais,  exceto aquelas que são destinadas a alunos que utilizam os canais sensoriais proximais. Para esses, estratégias com um contato mais direto são essencialmente necessárias.

Referências bibliográficas

Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o Problema.

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 1 - A pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 - A pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 - Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.


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